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Publicado em 11 de Outubro de 2017 às 11h:42

Lomachenko vs. Rigondeaux: Todos os ingressos VENDIDOS

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Autor Daniel Leal

O Madison Square Garden estará LOTADO para assistir a primeira disputa da história entre dois bicampeões olímpicos, no boxe profissional. E esta luta não merecia nada menos do que isso. (Imagem: Montagem R13)

O confronto entre o ucraniano Vasyl Lomachenko (9-1, 7 ko's) e o cubano Guillermo Rigondeaux (17-0, 11 ko's) é muito mais importante do que o cinturão super-pena da Organização Mundial de Boxe, que será colocado em jogo. O título, hoje nas mãos de Lomachenko, é um detalhe por ser somente um dos marcos, e talvez o menor, dos que envolvem o duelo entre estes dois pequenos gigantes da nobre arte dos punhos.

Rigondeaux é um dos maiores atletas amadores da história. Campeão olímpico em Sydney-2000 e Atenas-2004, soma dois títulos mundiais nesta vertente (2001 e 2005), além de ter sido sete vezes vencedor do campeonato nacional cubano, talvez o mais importante torneio intra-fronteiras do pugilismo não-remunerado. Antes de conseguir fugir da ilha caribenha em 2009, fez 475 combates no amadorismo, somando 463 vitórias. Em pouco mais de três anos alçou a glória mundialista, somando, até o momento, dois cetros (AMB e OMB), na categoria dos super-galos (até 55,3 kg). Vale lembrar que já tentara escapar do regime dos irmãos Castro em 2007, durante os Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro, mas foi capturado pela Polícia Federal junto de Erislandy Lara e deportado a seu país de origem. Se tivesse, efetivamente, fugido, teria ganho mais duas temporadas na carreira.

Vasyl teve melhor sorte: Pode escolher o momento em que passaria ao profissionalismo. E o fez em 2013, após somar 396 êxitos e apenas um revés como amador. Foi ouro nos penas em Pequim-2008, e nos leves em Londres-2012, além de primeiro colocado no campeonato mundial de 2009 e 2011, nas mesmas categorias, respectivamente, sendo, portanto, bicampeão olímpico e mundial em duas divisões de peso distintas.

Sem qualquer adaptação, tentou um cinturão mundial já em sua segunda contenda remunerada, perdendo em uma contestável decisão dividida para Orlando Salido, apenas 5 meses depois de tornar-se profissional. Arrebatou o mesmo reinado vago da OMB nos penas, 122 dias depois, na luta seguinte, quando suplantou o atual campeão do CMB, Garry Russel Jr. Salido não batera o peso quando se enfrentaram, subindo na balança cerca de um quilo e meio mais pesado do que Lomachenko, adicionando mais uma pitada no tempero que permeia esta revanche, a qual o ucraniano persegue desde então.

De forma brilhante, “Hi-Tech” se aperfeiçoou e encaixou seu jogo de forma esplendorosa, enchendo os olhos do público e conquistando mais um boldrié, desta vez nos super-penas, pela mesma Organização Mundial de Boxe. Em quatro anos e dez atuações, já conquistou o mundo duas vezes, em duas categorias.

Diferente de seu futuro adversário, Rigondeaux não agradou aos fãs logo de cara. Seu jogo oriundo da antiga pontuação amadora, aonde qualquer toque valia um ponto, o fez ser afastado dos grandes eventos e das grandes bolsas. Sua habilidade, porém, é incontestável. Fez sim combates emocionantes, como o contra Nonito Donaire, em 2013 e diante do japonês Hisashi Amagasa, 20 meses depois, quando caiu duas vezes para depois derrubar seu adversário, mas não o suficiente para convencer as pessoas a pagarem por suas lutas e, por consequência, aos demais lutadores a entrarem no ringue para, muito provavelmente, serem derrotados, por valores menores do que se esperaria nestes casos. Ou seja, em um paradoxo que beira o absurdo, a qualidade de Guillermo o deixou distante das maiores jornadas pugilísticas.

A singular solução seria dividir o tablado com o único lá fora que possuiu uma técnica comparável à sua. E é exatamente o que acontecerá no próximo dia 9 de Dezembro, no Madison Square Garden Theater, em Nova Iorque. Sem opção, o cubano colocou-se à disposição para pular duas divisões de peso, realizando, finalmente, um dos sonhos dos fanáticos mais assíduos do esporte de luvas.

Ver ambos duelando era algo improvável no amadorismo. Os dólares do boxe profissional, no entanto, colocarão, curiosamente, pela primeira vez na história, dois bicampeões olímpicos, frente a frente valendo uma monarquia sancionada por uma das quatro grandes entidades regentes da modalidade. Não é a toa que todos os ingressos para o evento já foram esgotados. Tomara que não deixem mais esta disputa estrelar– talvez a melhor dos últimos anos – fora das TVs brasileiras.

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