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Publicado em 26 de Dezembro de 2017 às 19h:07

Os melhores de 2017

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Autor Equipe Round13

No Brasil, um país que pouco dá atenção ao boxe profissional, é de fundamental importância reconhecermos quem merece, seja para o fã saber quem é quem, ou para que o próprio atleta sinta este reconhecimento como um prêmio por seu trabalho ao longo do ano.

Quem foram os melhores durante o último conjunto de 365 dias? Quem conquistou o ápice? Todo final de Dezembro, a equipe do Round13 se reúne para decidir e apontar os méritos de quem merece. Confira, em nossa opinião, quem foram os melhores da Nobre Arte no Brasil e no mundo!

Então, sem mais delongas, vamos aos melhores de 2016, segundo o Round13!

No Brasil:

Lutadora do Ano: Rose Volante


Imagem: Divulgação/Memorial

Nós, na realidade, nunca distinguimos o melhor lutador e melhor lutadora em nenhuma edição anual. Não seria justo, então, criar uma categoria para reconhecer Rose Volante em separado como a melhor do ano, sendo que, num geral, a atleta da Memorial-Santos foi a figura pugilística de 2017 no Brasil. Poderíamos ficar aqui durante vários parágrafos justificando sua escolha, mas a simples resposta para os questionamentos que seguem já é capaz de responder todas as perguntas: Mais alguém no Brasil conquistou um título mundial em 2017? Na Argentina? Nos pontos? Vencendo até os juízes, loucos para lhe roubarem o cinturão? Pois bem… E, já fica o alerta para quem quer aparecer neste posto em 2018: Seja, no mínimo, campeão mundial, porque Rose tem tudo para seguir com esta cinta, se ela e sua equipe seguirem trabalhando corretamente.

Luta do Ano: Paulinho Soares UD8 Daniel “Eddie Murphy” Araújo – 21/01/2017


Imagem: Round13

A vitória de Paulo Soares (6-1, 4 ko's), o “Paulinho”, sobre Daniel “Eddie Murphy” Araújo (1-2-1, 1 ko's) não marcou só o início com pé direito do BoxingForYou, maior evento pugilístico do Brasil atualmente, como também o retorno de Araújo como vencedor desta mesma categoria pelo segundo ano consecutivo. Em 2016 ele dividiu o posto com Benedito Neto. Nas duas ocasiões perdeu, mas deu um show. Ele pode encher a boca para dizer que suas duas derrotas vieram em duas “Lutas do Ano”. Já Paulinho, que saiu de um knockdown no segundo assalto para derrubar Daniel no sexto e vencer por pontos em uma absoluta e eletrizante guerra, começou ali uma grande ascensão, interrompida por uma derrota em Setembro, mas que não tirou o brilho de sua jornada até aqui. Soares e “Eddie Murphy” saíram aplaudidos do Hotel Golden Park, em Sorocaba, e devem ser reconhecidos, com menção honrosa, claro, para a batalha entre Paulo Galdino e Emerson Braz, realizada em Santos, no dia 1º de Setembro.

Nocaute do Ano: Edelson “Coração Valente” Silva KO1 Licélio Lúcio – 17/06/2017


Imagem: BoxingForYou/SporTV/YouTube

Durante a terceira edição do BoxingForYou, Edelson Silva (15-0, 13 ko's) já era uma realidade após ter vencido Juliano Ramos, dois meses e meio antes. O boxeador, que ficou quase sete anos parado, voltou com tudo e venceu três vezes em 2017. Contra Licélio Lucio (5-7, 5 ko's), no entanto, foi muito mais simples: Uma direita em overhand e um cruzado de esquerda de encontro encerraram o confronto ao jogar Lucio no chão, da onde este ainda se levantou, completamente grogue, sofrendo o nocaute mais impressionante do ano. Destaque, também, para a vitória imposta por Gabriel Bonfim sobre Ademir Machado, logo no início do combate entre ambos na segunda edição do “The King Of The Ring”, em Dezembro.

Revelação do ano: Carlos Henrique “Pitbull”


Imagem: Ivan Storti/Memorial

Praticamente uma barbada. Carlos Henrique “Pitbull” (6-0, 5 ko's) passeou em seu ano de estreia no boxe profissional, após sólida trajetória no amadorismo. Em nove meses desde que saiu da equipe amadora do Palmeiras e mudou-se para a Memorial-Santos, nos profissionais, venceu seis vezes, cinco por nocaute. Dividiram o ringue com ele Breno Rangel, Ansley Rocha, Lucas “Van Damme” Oliveira, Agnaldo Valerio e Helio Sabotag, sendo que este último foi seu mais valoroso oponente, tendo sido o primeiro a ouvir o soar final do gongo, na revanche realizada em 1º de Dezembro. “Pitbull” se tornou a grande promessa dos eventos promovidos pela Memorial (seis, no total, em 2017), e a maior aposta do time, após o título mundial de Rose Volante, não só pelos resultados, mas pela performance que tem apresentado. Carlos Henrique deve disputar o cinturão brasileiro dos super-galos já em Janeiro de 2018.

No Mundo:

Lutador do Ano: Gennady “GGG” Golovkin


Imagem: Reprodução

Só teve um boxeador que encarou os dois melhores adversários possíveis de sua categoria em 2017: Gennady Golovkin. E apesar dele não ter vencido as duas pelejas (bateu Danny Jacobs, mas empatou com Saul “Canelo” Alvarez), ambas foram dignas de tornarem-se candidatas à luta do ano. Contra o mexicano, entregou um show como o esperado na disputa mais aguardada da temporada e manteve todos os seus cinturões. Definitivamente, Golovkin se firmou como alguém do nível “A” do boxe de forma indubitável, e agora aguarda a revanche diante de Canelo para passar, de vez, ao estrelato. Sua concorrência foi dura, pois estavam no páreo Terence Crawford (vencedor no ano passado), Vasyl Lomachenko e Anthony Joshua.

Luta do ano: Anthony Joshua TKO11 Wladimir Klitschko – 29/04/2017


Imagem: SkySports

Não foi fácil escolher o melhor combate dos últimos 12 meses, mas, pelo conjunto da obra, a vitória de Anthony Joshua sobre Wladimir Klitschko acabou sobressaindo. Além de valer a coroa dos pesos-pesados pela FIB e AMB entre o novo nome da divisão e último grande rei, as 90 mil testemunhas que lotaram o estádio de Wembley viram uma contenda de encher os olhos do mais leigo, ao mais fanático fã do boxe. Klitschko caiu no quinto round e viu Joshua chegar à exaustão para tentar finalizar a luta, se aproveitando disso para dar o troco e derrubá-lo no sexto. Mais tarde, no entanto, pôde comprovar a evolução do jovem britânico que manteve a calma e soube retomar o fôlego para levar o ucraniano ao solo novamente duas vezes no penúltimo assalto, obrigando a posterior interrupção das ações com uma saraivada junto às cordas. Reviravoltas dignas da magnitude da própria luta e do evento em si. Para fechar com chave de ouro, esta foi a última apresentação do lendário “Dr. Steelhammer”, que se aposentou e passou a tocha à Anthony, agora o homem à ser batido na divisão.

Nocaute do Ano: Jermell Charlo KO1 Erickson Lubin – 14/10/2017


Imagem: HBO Boxing

Não há muito à ser dito aqui. Quem viu se impressionou com o nocaute brutal aplicado sobre o jovem e então invicto Erickson Lubin em sua primeira tentativa mundialista. Ele que vinha impressionando exatamente pelas vitórias pela via rápida acabou sofrendo um revés doloroso após ser atingido por uma violenta direita que vinha de encontro em upper, e caiu sobre a própria perna, desacordado, sem chances de retornar. Charlo manteve seu cinturão CMB dos médios-ligeiros e, mais do que isso, finalmente tornou-se uma potência na categoria.

Revelação do Ano: Gervonta Davis


Imagem: Kevin Quigley/Daily Mail

Polêmico, porém talentoso, o americano Gervonta “Tank” Davis, de apenas 23 anos, soma um cartel de 19 vitórias, sendo 18 delas por nocaute. Antes de 2017 ele já chamava a atenção, mas, explodiu nessa temporada quando em Janeiro “tirou pra nada” o invicto campeão FIB dos super-penas, Jose Pedrasa, em um domínio absoluto e impressionante, que resultou em um nocaute técnico no sétimo round. Em Maio, foi até o Reino Unido arrancar a invencibilidade de Liam Walsh, na casa do adversário, de forma mais fácil ainda, defendendo seu recém-conquistado cinturão. Só não foi um ano melhor para David pois, em Agosto, na preliminar de “Mayweather vs. McGregor”, poderia ter aproveitado a grande audiência para consolidar seu nome, porém, ao invés disso, não bateu o peso, perdendo o título na balança e ainda entregou uma performance caricata, mais preocupado em brincar do que lutar, diante do inferior Francisco Fonseca, que sucumbiu no oitavo round e também sofreu sua primeira derrota na carreira. Gervonta poderia ter fechado melhor seus 365 dias de ascensão, mas, no final das contas, tornou-se campeão, apareceu para o mundo e venceu três lutadores que nunca haviam sido derrotados, e todos pela via rápida. Se ele se firmará, ou não, 2018 – quando, provavelmente terá de subir aos pesos leves – é que nos dirá. Cabe a ele e seu promotor, Floyd Mayweather Jr. planejarem bem os próximos passos.

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