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Em evento que marca a 3ª rodada do torneio Forja de Campeões, o baiano Adaílton “Precipício” de Jesus (24-4, 19 KOs) completará a programação realizando o único embate profissional do card. Precipício terá pela frente Carlos “Caolho” Santos de Jesus (BoxRec: 9-6, 3 KOs).
Os dois pugilistas vêm de vitórias obtidas pela via rápida no ano passado. Adaílton derrotou, em novembro, Nelson Porfírio, enquanto Carlos obteve nocaute no 1º giro contra Daniel Conceição em agosto. O evento acontece no Ginásio Baby Barioni, em São Paulo, e terá início pouco antes das 19 horas, segundo a Federação Paulista de Boxe. Para os interessados, a entrada é franca.
O Round 13 bateu um papo com Precipício para saber um pouco mais sobre sua preparação para a primeira luta de 2010, e também os planos para o novo ano. Confiram!
Round 13: Como você está para a luta de amanhã à noite? Conhece seu adversário?
Adaílton de Jesus: Estou tranquilo, deu tudo certo na pesagem hoje, já estava com o peso desde domingo. Estou bem, espero que seja mais um nocaute em minha carreira, sem querer menosprezar meu adversário. Ele já lutou fora do país, perdendo por nocaute em todas. Estava assistindo agora mesmo a luta dele contra o Carlos Zambrano, no Peru, onde ele foi nocauteado no 2º assalto. Achei a decisão do árbitro um pouco precipitada, porém ele não teria chances de vencer, já que estava levando muitos golpes. Espero ir bem amanhã e me manter preparado para enfrentar uma luta importante diante do Eduardo Escobedo no dia 6 de março.
R13: Então está tudo certo mesmo para enfrentar o Escobedo?
Adaílton: Está previsto para dia 6 de março, eu só preciso conseguir tirar o visto mexicano, que pelo jeito é mais complicado do que o norte-americano. Mas creio que tudo dará certo, tirei 5 anos de visto para os EUA, talvez vá para lá e depois para o México, assim como o Carlão (Carlos Nascimento) fez. Só quero essa chance, sei que posso ganhar do Escobedo e ir para um título mundial, estou muito bem treinado agora.
R13: E para amanhã à noite você está bem preparado? Da última vez que você lutou no Baby Barioni, obteve um belo nocaute contra o Nelson Porfírio. Pretende repetir o feito?
Adaílton: Sim, com certeza. Estou bem melhor do que naquela oportunidade, fiz pelo menos 25 dias de treinos fortes e não acho que será uma luta tão dura assim. Como já disse, não menosprezo o meu adversário, ele tem dois braços e duas pernas. Assim como na Argentina o Oscar Pereyra acabou me nocauteando, ele também pode, só que naquela vez eu estava debilitado, e agora não.
R13: Como vem sendo seus treinamentos?
Adaílton: Fortes. Venho fazendo boas sessões de sparring com o Jô (Josenilson dos Santos), William (William Silva), Patrick Teixeira. Eles são duros e exigem bastante de mim, o que me faz ficar forte e bem treinado. Estou me sentindo mais rápido, e eles mesmos notam essa diferença em mim. Meu físico também está bom, faço um percurso de corrida de Santana do Parnaíba até Pirapora do Bom Jesus, isso dá em média 1 hora de corrida, e estou conseguindo ir de boa, sem ficar exausto.
R13: Você parou de treinar no Coliseu Boxe Center?
Adaílton: Não tem dado para ir pra lá por problemas financeiros. Eu gasto R$ 10,70 para ir treinar lá, e antes eles me ajudavam com o transporte para eu ajudar na preparação do Alex (de Oliveira). Era muito bom, só que preciso lutar fora do Brasil, crescer. Entende? Não é nada pessoal, sou muito grato ao Coliseu, e sempre que puder irei lá ajudar o Alex aos sábados, mas preciso de um retorno melhor para minha própria carreira. Treinar e dar aulas é muito complicado, e eu só tive tropeços em minha carreira por não ter apoio. Tinha que trabalhar e treinar. Aqui em Santana não, só treino, então acabo tendo outro retorno. É uma pena, pois adoro o Coliseu. O Anderson (Nogueira, responsável pelos treinos no Coliseu) pra mim é um grande treinador, e quando eu tiver uma boa condição financeira, ele será meu treinador sim, não haverá outro para ocupar o seu lugar. Ele é didático, sério e amigo. Mas tenho que pensar no lado pessoal se quiser um dia lutar pelo título do mundo.
R13: Você tem experiência fora do Brasil e sabe como é doloroso perder lutas importantes fora de seu país. O que você achou da derrota do Alex de Oliveira em dezembro para o mexicano Giovanni Caro? Chegou a falar com o Alex depois do ocorrido?
Adaílton: Bom, ele sabe que não lutou o que sabe e que precisa rever aquele momento. Alex é um bom garoto, tem talento. Eu ainda não consigo acreditar que aquilo aconteceu com ele, parece que deu um branco no cara, e boxe é tudo o que ele não fez naquele dia. Se ele lutar mais 10 vezes contra o Caro, aposto que ele ganhará 11. Eu fiquei branco quando recebi a notícia, estava em direção à minha casa, junto com a minha família, e não acreditei na hora, pensei que era algum engano. O Alex perdeu para si mesmo, naquela noite ele não estava no ringue não, ele não é um cara que costuma errar. Aquele não era o Alex que eu conheço, forte, bravo, pegador e atento às lutas, ele não erra mesmo.
R13: Na sua opinião, ele dará a volta por cima?
Adaílton: Sim, tem que dar e pode dar. Ele é forte, sua maior qualidade é essa. Além disso, ele tem pessoas boas próximas a ele, como o sr. Willian (Paiva), que é como um pai para ele, além do Lino (Laudelino Barros), do Anderson, e tantos outros. Muitos falaram após a derrota que ele não era tão bom assim, que não deveria ter lutado lá agora, esses são os “sabe-tudo”, e você sabe bem como eu fico chateado quando leio algumas coisas desse tipo lá nos comentários do site, né. Mas isso também é o meu jeito de ser. O problema é que ninguém pode falar do futuro. Se o cara vai ou não ser campeão mundial só Deus e você mesmo podem dizer isso. Se é isso que você quer, vai lá e busca. É assim que eu vivo, perseguindo minha chance de forma que até acabo comprometendo minha família com esse sonho louco de lutar o título do mundo. Meu filho, minha mulher, minhas filhas, todos eles me vêem tirando peso e sentem o que eu passo. Quando eu perco, eles perdem, quando ganho, eles ganham. Mas se eu não acreditasse em mim, quem acreditaria? Então o Alex tem que acreditar nele e em tudo que ele fez a vida toda, pois ele é homem, e todo homem tem uma carta escondida na manga para jogar nos momentos de dificuldade. Tenho certeza que ele usará a dele na hora certa e se dará muito bem. Falo isso pois vivi essa situação em minhas derrotas para o Yuriorkis Gamboa e para o Pereyra, e ainda estou aí. É fácil ser pedra, o difícil é ser vidraça, isso quer dizer, é preciso saber reagir quando se está frágil, pois a luta só acaba no 12º round. Com certeza, a luta do Alex ainda não acabou, assim como a minha, do Jô, e de outros que tropeçaram pelo caminho.
R13: O que você ainda espera para 2010?
Adaílton: Eu acredito que 2010 seja o ano em que Adaílton de Jesus irá para o título mundial, por bem ou por mal, pois acredito que essa seja uma questão de honra para mim.
R13: Algum recado para os fãs?
Adaílton: Agradeço a todos os fãs e espero, assim como eles, que o boxe brasileiro saia do vermelho. Espero que eu sempre esteja forte, pois passaria por tudo que já passei na minha vida novamente para ter a chance de disputar um título do mundo. Faria isso com o maior prazer, pois o boxe é minha religião, é a minha causa, e eu a defendo assim como um revolucionário defende a revolução, assim como um pastor defende a palavra. Não me arrependo de nada que já vivi, sou feliz e se eu não for campeão mundial, sou campeão da vida, que é o maior título que alguém pode ter. Muitos amigos meus já não estão mais vivos, e eu estou aqui mesmo com a vida atribulada que tive, sofri perseguições, preconceitos, meu pai e mãe sempre foram distantes e dependi de amigos para crescer na vida, amigos que me deram conforto e bordoadas também. Tenho como ídolo meu avô, um velho guerreiro que fez de mim o homem que hoje eu sou. Quero muito um título mundial, mas se ele não vier, não ligo, pois já sou feliz assim. Apenas quero completar minha jornada, não vou deixar minha história sem fim, e quero continuar meus planos para ensinar boxe para garotada, pois se eu não for campeão, quero formar um, é questão de honra.
R13: Mais alguma coisa para encerrar? Agradecimentos?
Adaílton: À todos escritores do Round 13, muito obrigado por sempre divulgarem meu trabalho. Gostaria também de agradecer meus amigos de sparring Jô, Will e Patrick, às marcas Gajang e 775, que me ajudam, à minha família, a todos que comentam, pois sendo críticos ou não, é sempre bom saber o que pensam de você. Agradeço ao seu Edu Mello que está me dando uma chance de renascer novamente, ao Xuxa (Edson Nascimento), que está me treinando, ao Lino, Alex, Anderson, sr. Willian pela oportunidade que me deram no Coliseu, e é isso. É bom ter amigos, e isso eu tenho, o que é muito bom, pois sem eles, ninguém vai a lugar algum.
Mundo do Boxe
Jones Jr. vs. Hopkins II fechada para abril!
Após 16 anos desde o primeiro confronto, Roy Jones Jr. (54-6, 40 KOs) e Bernard Hopkins (50-5-1, 32 KOs) finalmente anunciaram a revanche. O embate ocorrerá no dia 3 de abril, em Las Vegas, no tradicional Mandalay Bay Resort and Casino. Os dois, que há tempos vêm trocando farpas através da mídia, estão em momentos diferentes das respectivas carreiras. Enquanto Jones foi surpreendentemente nocauteado no 1º round pelo australiano Danny Green em sua última luta, Hopkins vem de vitória por pontos contra o mexicano Enrique Ornelas. No 1º duelo entre os rivais, ocorrido em 1993, Junior venceu por pontos e conquistou o título mundial dos médios pela FIB, o primeiro de sua carreira.
Mais resultados do final de semana
- O espanhol Gabriel Campillo (19-3, 6 KOs) foi derrotado pelo cazaque Beibut Shumenov (9-1, 6 KOs), em revanche realizada na última sexta. Shumenov conquistou o cinturão dos meio-pesados da AMB após levar decisão dividida muitíssimo contestada pela mídia mundial, com scores 117-111 e 115-113 a seu favor, com o outro marcando 117-111 para Campillo.
- O alemão Sebastian Sylvester (33-3, 16 KOs) defendeu com sucesso seu cinturão dos médios da FIB ao derrotar Billy Lyell (21-8, 4 KOs) por nocaute técnico no 10º assalto. No mesmo evento, Karo Murat (21-0, 13 KOs) superou Sean Corbin (13-2, 9 KOs) em 2 rounds, enquanto o pesado Robert Helenius (11-0, 7 KOs) manteve-se invicto e obteve mais uma grande vitória em sua carreira, dessa vez diante do ex-campeão mundial Lamon Brewster (35-6, 30 KOs). O triunfo de Helenius veio por nocaute técnico no 8º giro.
- Jorge Arce (53-6-1, 40 KOs) obteve mais um título mundial para seu histórico ao derrotar Angky Angkota (23-5, 14 KOs) por decisão técnica em luta interrompida no 7º round. Já Eduardo Escobedo (27-3, 19 KOs), que deve enfrentar o brasileiro Adaílton “Precipício” de Jesus em março, venceu decisão unânime conta Joksan Hernadez (17-2, 10 KOs).
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Saudações,
Equipe Round 13
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