Pós-Luta

Publicado em 23 de Setembro de 2017 às 02h:24

Robson vence quinta luta profissional, em noite de defesas para Ramirez e Valdez

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Autor Daniel Leal

Medalhista de ouro na Rio-2016 fez sua quinta apresentação na vertente remunerada da nobre arte nesta noite, no Arizona, e somou sua quinta vitória, a quarta por nocaute. Oscar Valdez e Gilberto Ramirez mantiveram seus cinturões. (Imagem: BoxingScene.com)

O Centro de Convenções de Tucson, no Arizona, foi palco, agora a pouco, da quinta vitória como profissional de Robson “Nino” Conceição (5-0, 4 ko's), campeão olímpico dos pesos leves, diante do nicaraguense Carlos Osorio (13-8-1, 5 ko's). Além deste resultado, Oscar Valdez (23-0, 19 ko's) e Gilberto “Zurdo” Ramirez (36-0, 24 ko's), mantiveram suas cintas mundiais pela OMB na categoria dos penas e dos super-médios, respectivamente.

Menos focado em acabar rápido o combate, diferente da última vez em que esteve sobre o tablado, Robson preferiu lutar com mais consciência aplicando golpes mais lentos, porém mais potentes, e bastante precisos, além de defender-se e contragolpear muito bem, principalmente com ganchos um tanto quanto vistosos. O segundo giro seguiu na mesma toada, com o brasileiro sempre buscando a variação corpo/cabeça.

O valente nicaraguense seguia caminhando para frente e tentando o que podia, mas parava nas esquivas e na guarda não-ortodoxa do medalhista de ouro no Rio de Janeiro em 2016. Maior fisicamente, e atingindo belos “um-dois” em jab e direto, Conceição seguiu o castigo em cima de seu adversário. Aparentemente, Osorio desistiu em seu corner no intervalo entre o terceiro e quarto assaltos devido a um problema em seu ombro direito. De qualquer foram, seu revés pela via rápida parecia questão de tempo, independente de qualquer lesão.

Na primeira disputa mundialista da noite, Jesse Hart (22-1, 18 ko's) começou melhor se movimentando e contragolpeando de forma efetiva. Um gancho de esquerda muito bem colocado no segundo round, no entanto, mudou o cenário. Em um raro momento de confronto corpo-a-corpo, o referido golpe veio de encontro a cabeça durante o pêndulo de Hart, que caiu visivelmente mal. Ele se levantou e conseguiu manter-se em pé, mesmo durante uma tempestade de punches aplicada pelo campeão.

Os intervalos foram passando e o desafiante sobrevivendo. Começou realmente a conseguir fazer algo um pouco relevante em termos de colocação de socos, apenas na sexta passagem. Na sétima, equilibrou mais o confronto. Jesse foi melhor ainda no nono giro, com ambos mostrando exaustão física.

O contendor demonstrava aproveitar melhor os espaços deixados pelo monarca mexicano, porém não dava sequência após o encaixe devido a seu cansaço. Nos três minutos derradeiros, Hart foi pra cima com tudo, estava em vantagem, mas recebeu um cruzado devastador e segurou-se para não ir à lona novamente.

Ao final, nossa marcação apontava 115-112 para um decepcionante (novamente), Gilberto “Zurdo” Ramirez. Daniel Fucs, nos comentários, viu da mesma forma. Os árbitros confirmaram o resultado com marcações em 115-112 (duas vezes) e 114-113, mantendo o canhoto latino com a cinta dos supermédios pela Organização Mundial de Boxe.

Já Valdez, na principal contenda da noite, esteve diante de um opositor motivado. O filipino Genesis Servania (29-1, 12 ko's) entrou para vencer e arrebatar o cetro OMB dos penas. As combinações e a pegada de Oscar, no entanto, o impediram. Não sem antes causar problemas ao campeão.

No quarto assalto, após ter perdido os primeiros três, Servania derrubou Valdez com um direto no momento em que o mexicano confiava demais em suas esquivas para defender-se. De pé sem muitos problemas, o detentor do boldrié, porém, teve que segurar-se para ouvir o gongo.

Quando o atleta das filipinas se empolgava no quinto round, um counter que fintou como jab e encaixou como cruzado levou Servania ao solo. Valente, mesmo com as pernas fracas, o desafiante conseguiu também levantar-se e seguir até o sino tocar, salvando-o. Incrivelmente, Genesis conseguiu não só retornar bem para o sexto intervalo, como causou problemas à Valdez no último minuto do mesmo.

A confiança da promessa do México estava o atrapalhando, pois indo para cima, desguarnecia sua defesa, deixando caminhos para que seu oposto conseguisse colocar bons golpes. A partir do nono assalto, seu jogo de pernas começou a compensar isso, ajudando-o a escapar das investidas do filipino.

Na última rodada, os dois pugilistas foram para cima, sabendo que vencer nas marcações naquele instante seria importante. Em nossa papeleta, o placar era de 114-112 para o campeão, enquanto Fucs, via também sua vantagem, porém com 115-111. Os jurados enxergaram a luta em 116-110, 115-111 e 117-109. Diferença maior do que deveria, em nossa visão, mas ainda assim confirmando a terceira defesa de Oscar, que segue sendo uma das maiores promessas do esporte de luvas, mas necessita de correções para poder encarar nomes maiores no futuro.

O evento teve transmissão, ao vivo, para o Brasil, através do SporTV2.

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